Recentemente, falas inescrupulosas da secretária de educação de goiás (a grafia em letra minúscula foi por manifesto ao cargo ocupado e em respeito aos professores daquele estado) viralizou ao responder uma professora que teve falta – aula – mesmo com atestado – por levar o filho ao médico. O desmerecimento de quem deveria lutar pela classe e a falta de respeito com os profissionais – independentemente da categoria – escancara a desvalorização do professor, a baixa remuneração e as péssimas condições de trabalho nas quais são submetidos.
Jô Soares já dizia que o professor é o material escolar mais barato que existe na praça. Ora, ninguém entra na profissão pelo dinheiro, mas sim por vocação. Não há um individuo dentro de uma sala de aula que está trabalhando apenas pelo dinheiro. Ratifico o que eu sempre disse: professor não se forma; ele já nasce com a docência de espirito. É dentro desta desvalorização que passamos fome por direitos, salários dignos e principalmente o respeito dos alunos e da sociedade. Nós trabalhamos doentes, porque há uma preocupação em lidar com o conteúdo de sala. A nossa carga horária diária chega a ser de 12 a 15 horas – aulas. O que acontece é que fica totalmente impossível trabalhar numa única escola, ou seja, dedicação exclusiva, já que os baixos salários nos levam a trabalhar sempre em duas unidades ou mais e em cidades diferentes.
Toda vez que alguém abre a boca para falar mal do professor eu tomo as dores para mim. Não é que eu quero briga, mas como faço parte do mundo de trabalho escolar, sinto-me na obrigação em defender os responsáveis pelo futuro deste país. Há uma frase de Albert Einstein em que ele diz “A tarefa essencial do professor é despertar a alegria de trabalhar e de conhecer”. Todavia, a única profissão que traz sustento ao tirar os risos da plateia é o artista circense. A palavra “palhaço” pode assumir dois tipos de significado na vida de um docente: primeiramente, dentro da profissão, nós acabamos virando um palhaço para ensinar quem não quer aprender; a outra, é que somos o palhaço do sistema por pedirmos valorização profissional do educador.
Por aí, há tantos outros secretários de educação que já desconhecem a realidade de uma sala de aula e sai por ai distribuindo verborragias e falácias pela sociedade, sem entender o mínimo da educação brasileira. O que a impede de sucumbir somos nós, professores, que passamos fome por valorização e sede por condições trabalhistas de um país em ascensão.