Os espaços culturais estão sangrando

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Calor escaldante, falta de ventilação, goteiras, desconforto. Todo espaço cultural deve agir com o senso comum. O palco é o local de trabalho do artista. Para que ele tenha público é preciso que a plateia se sinta confortável ao prestigiar o artista. Não se propaga arte e cultura sem investimento. Não se deve falar em cultura se não há espaço decente para propagá-la e que não atenda a população de uma forma democrática e igualitária. Outrora, música, arte e cultura pertenciam às elites; hoje, pertencem a quem? Aos mesmos de sempre, óbvio.

Embora esta cidadela não seja adepta a boa cultura, os que vivem dela e que a apreciam ficam de mãos atadas pela decadência que se encontra o “Monte Parnaso” monte-altense. Ergueram um palco externo, entretanto se esqueceram de que o interno está sucumbindo. Músicos, musicistas e amantes da música temem ser engolidos pela terra deste Monte Parnaso. As estátuas que ali estão – aliás um trabalho divino de um artista que eu muito admiro – esperam por um toque de magia para saírem correndo do caos. Entendam, não é uma crítica. É apenas um olhar externo de quem paga imposto, aprecia a cultura e se preocupa com os rumos que o escasso espaço cultural está tomando. É preocupante.

Assim como não dá para se ter um bom carro para andar nestas ruas esburacadas, remendadas, mal restauradas, mal consertadas, mal refeitas, não há como ter uma grande atração num local que sangra a cada ano que passa. É por isso que centralizam a cultura. Tudo acontece na praça central. E eu entendo perfeitamente este deslocamento por parte dos responsáveis por ela. Primeiro, porque criou-se uma cultura de que tudo deve acontecer ali; segundo, é o único lugar onde uma população de cinquenta mil habitantes frequenta aos finais de semana, mesmo sabendo que há entre tantos outros lugares que poderiam ser utilizados para a propagação da arte e da música. A cultura está acima da diferença da condição social (Confúcio).

Numa sociedade estagnada ao pensamento das utopias das redes e de jogos de tigrinho, proporcionar cultura para mostrar que existe um mundo real abastado de poderes artísticos, de música e poesia é mostrar que realmente a arte é necessária. Todavia, para isso, é preciso sacramentar os espaços nas quais ela é propagada e dar condições para os propagadores. Calor escaldante, falta de ventilação, goteiras, desconforto. Você, querido leitor e querido artista, sabe do que estou falando.

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