DOUTOR HIPOCRATES
O fundador da medicina moderna, o grego Hipócrates, cujo juramento é observado até hoje pelas escolas de medicina do mundo ocidental, mesmo sem se dar conta do tratamento contra um vírus desconhecido, adotou o distanciamento e o tratamento higiênico, para inibir a disseminação do mal entre os soldados da Grécia.
Seu contemporâneo, o rei persa, Ataterxes, enviou mensageiro à Grécia, com a função de espionagem, com a função de descobrir porque as mortes dos soldados gregos eram em menor número do que as mortes dos persas. O espião voltou sem a resposta, apenas comprovou a realidade, no nível que as mortes aconteciam nos dois exércitos, a Grécia aniquilaria os persas.
Era uma doença contagiosa transmitida entre os humanos que viviam em grupos fechados, desconhecida que lembra hoje o vírus e as bactérias. Ambos na escura, Hipócrates e Ataterxes, perceberam que seriam derrotados por uma terceira força e passaram a trocar mensagens entre si. O rei persa acreditava que Hipócrates, como médico, tinha o segredo da cura e não o revelava para preservar o poder do exército grego. Ambos aceiram um cessar fogo até que a doença acabasse, pondo fim a uma guerra que voltaria séculos depois entre os dois países.
O armistício passou à história como uma vitória do bom senso e da civilização moderna da época. O fim da guerra tornou Hipócrates mais famoso como médico do que já era e o rei persa, Atatarxes, como o salvador do império, mesmo sem a guerra que acabaria com a força poderosas dos persas.
O mundo nunca soube o que de fato aconteceu, não havia como saber, porque não se conhecia o vírus, nem a bactéria, ou qualquer fator de transmissão de doenças, mesmo um simples surto.
Ainda sob a bandeira da especulação, pode se afirmar que a doença causada pelo vírus era a mesma nos dois países, era uma epidemia. Os persas morriam mais porque seu exército era um bloco composto de soldados do país inteiro, enquanto que as forças militares gregas eram fracionadas entre exércitos divididos das ilhas, eles treinavam separados, se alimentavam em blocos individuais e se reuniram apenas em caso de guerra, o que não aconteceu. Na Grécia cada um ficou na sua ilha e o vírus desapareceu e na Pérsia, os soldados deram baixa, voltando para sua região impedindo a proliferação do vírus. E mais: gregos e persas não foram dizimados pelo vírus porque usavam máscaras – isso mesmo – as armaduras tinham máscaras de proteção!
SE BASTA
O nosso culto brasileiro tem a mania de exagero para justificar uma possível falsidade. Isso acontece quando alguém deseja parabéns para outra pessoa. Como é possível o parabéns ser falso, acrescenta-se um MESMO ao cumprimento: parabéns mesmo! Isso também acontece no tradicional pêsames. Um MESMO vai bem. Meus pêsames mesmo! Também é useiro e veseiro ao se contar uma história e finalizá-la com um sonoro: É VERDADE! (Sem o sinal feliz afirmação a história seria falsa?).
PLACA
Água no umbigo. Sinal de perigo. (Aviso dos salva-vidas nas praias).
DOCTOR DE COR
Conheci em São Paulo, um jovem negro, filho de um amigo motorista de taxi. Ele era médico, estava estagiando no Hospital de Clínicas. Como é praxe naquela instituição, o estágio é cumprido na emergência. Ele fazia parte da equipe da madrugada composta de três médicos, três enfermeiras e quatro maqueiros. Ele contava as histórias que aconteciam nos plantões em que era chefe.
Na emergência do HC aparece de tudo, dizia ele, até morte em prestação, os socorristas aparecem com partes de um corpo e depois com outras encontradas na área. Quanto aos mortos tudo bem, seguiam para o necrotério aguardando a necropsia. A farra era com os vivos conscientes. Muitos “bacanas” chegavam com pernas e braços fraturados, com o medo estampado nos olhos. Na minha vez de prioridade no atendimento, enquanto estava ajeitando a posição do cara, ele gritava apavorado: “chama um médico aí, negão”.
JEREMIAS
Quarto ano do grupo Jeremias, um aluno, o Zé Grecco, pergunta à professora estagiária: “professora, o certo é furtar fruta ou roubar fruta?”. Ela respondeu: tanto faz, nos dois casos há um erro. (Ele então mostrava uma maça levantando o braço, alegando que não furtou ou roubou – achou!).
LUSITANO
Quando alguém chegava na casa do português perguntando pelos jovens, a resposta era: estás no amore! (Está no amor, modernizando no namoro).
Falando depressa e rápido: está no namoro! Foi o surgimento do verbo namorar.
AVISO
Caminhar com as próprias pernas é saudável. Pode-se perdê-las caminhando na rua ou no meio fio, nas tardes/noites usando roupas escuras. Os motoristas nem sempre enxergam o “uniforme” dos andarilhos e caminheiros e podem atropelá-los. O cuidado é quem anda e se veste. Além da roupa clara o caminhante deve usar faixas laranjas de fácil identificação. Escrevi isso dezenas de vezes e cada vez mais vejo os da caminhada abusando da sorte. Bons passos.
BARBATANA
Começa a safra do tubarão. Ele prefere dar suas dentadas nos surfistas. Talvez gostem das pranchas e se confundem na hora da refeição. Qualquer perna tem o sabor melhor do que o isopor.
Não existe a figura do tubarão assassino, ele não sai do mar para atacar as pessoas em casa, nas barracas ou redes sociais nas praias. Os mordidos sempre estão na “casa” do tubarão.