BRASILÂNDIA
No começo era o caos. Depois continuou. Sem seguida veio o caos relativo. Até que o nada absoluto surgiu do nada relativo. O nome de batismo criado do latim tardio, Brasil, patenteado de “Terra brasilis”, que os lusos, diante do tamanho levaram ao plural Brasis, lavrou-se assim a escritura. A terra do nada precisava de tudo, o que foi providenciado com as bênçãos da fé católica. O Brasil era de Portugal e este do cristianismo.
Começou então a terra ideal, para que o roubo, se plantado desse. Foi depois do Brasil que os portugueses receberam a alcunha, como se fala lá, de país de burros. Teria visto o míope cabralino, um monte, alto diga-se lá, como se existisse monte baixo. O pleonasmo passou a fazer parte do cardápio brasilino, o primeiro adjetivo pátrio da nova terra do El-rei. Veio o “coitado” (que levou um coito histórico) que andava pelado, conhecido como índio, sem nunca ter ido à Índia. Na lei da compensação o indiano merecia ser reconhecido como brasindiano. Enfim, o monte logo se mudou para ilha, acertaram, dessa vez era fato uma ilha e ainda é, o monte cresceu um pouco e foi a ser um monte Pascoal. Até que finalmente apareceu a Terra do Brasil, um erro de fato, a terra no Brasil não é do Brasil, foi de Portugal, da Inglaterra, do Vaticano e Quintal dos Norte-americanos. Agora a escritura foi lavrada para a China. Afinal nada a reclamar, nunca conseguimos ser uma República nossa, seremos da República Popular da China. Não somos quintal, mudamos para um jardim de inverno com urso panda e tudo. Como lá tudo é grande, somos para eles pequenos, um mero brasilinho. Ainda podemos ser nós mesmos, os EUA estão à disposição para a reintegração de posse, basta uma régua de engenharia para dividir em dois, o Brasil do Sul e o Brasil do Norte, para saber quem ficará com qual, joga-se a moedinha para cima, a de dólar, se não, não tem valor. O real perdeu o poder de aposta!
Se tem carnaval. Se tem futebol. Se tem cachaça. Se tem corrupção. Somos o Jardim do Eden, o Paraíso e o Céu. Falta Deus se mudar para cá, o diabo já mora!
MACHISMO
Desde o primeiro “Hommo sapiens” e a mulher dele (vejam: primeiro veio o homem e depois a mulher dele, ao chegar na caverna ela já era dele, o macho dominante) que o machismo foi adotado como regra na humanidade. Raras foram as civilizações dominadas pela mulher. Até os recentes movimentos feministas foram considerados machistas, porque na defesa do feminismo o machismo era alvo do reconhecimento, a tese é simples, para que haja feminismo é necessária a existência do machismo.
No Brasil o machismo se consolida no casamento, a mulher passa a usar o sobrenome do marido, o que indica posse, uma escritura registrada. Era lei, agora é opcional, e após a liberdade de escolha, o número de mulheres que “assinam” o sobrenome do marido ainda é alto (o homem diz: minha mulher – ela não fala: meu homem).
SANTA CEIA
O Natal são dois. A data foi unificada, a do nascimento de Jesus e a mitologia nórdica, representada pela figura do Papai Noel. Separadas devem se comemorá-las, porque uma é religiosa e a outra é mítica. Juntar as duas figuras, Jesus e Papai Noel é desvirtuar a fé da primeira com a crença da segunda. Até em templos do cristianismo a gente vê a junção. No nascimento de Jesus todos nós sabemos a história de cor, quanto ao Papai Noel, ele se tornou lenda com base numa figura real, que no final do ano, com idade avançada para trabalhar, ele percorreria as aldeias carregando um saco de sementes para as famílias plantarem. Ao chegar nas casas ele encontrava apenas as crianças, os adultos estavam na roça, de onde surgiu a fama com as crianças do bom velhinho.
Papai era como as crianças chamavam as pessoas idosas, assim como chamamos de avô no hemisfério sul. Jesus nunca viu Papai Noel e vice-versa. Não os apresente!
MESA POSTA
A conhecida pintura de Da Vinci, a Última Ceia, ilustra como era a alimentação na época entre os pobres. Mesmo não se tratando do Natal, a Ceia de Leonardo serve de exemplo para nós, os brasileiros, como servir a ceia natalina. Simples e básica. Sem bebida alcoólica e exagero na gula. Lembre-se que o que você está comendo é o que falta na mesa – ou no chão – dos “jesuzinhos” por aí.
ÍNDICE
A palavra sucesso vem antes da palavra trabalho apenas nos dicionários.
JUSCELINO
O sobrenome Kubitscheck era da mãe, descendente de ciganos tchecos e Oliveira era do pai, que morreu quando o menino tinha dois anos. De Diamantina, cidade onde nasceu, Nonô e a Irmã Naná, se mudaram com a mãe para Grupiara. A mãe, não tendo onde morar, pediu para ficar na escola onde iria lecionar. Juscelino nasceu em 1902, aos 12 anos conseguiu comprar seu primeiro par de sapatos. Ele conseguiu uma bolsa para estudar medicina na faculdade de Belo Horizonte. Casou-se com Sara Luísa Gomes de Souza Lemos. Tiveram uma filha, Márcia, e adotaram outra, Maria Estela.
Juscelino morreu em acidente na via Dutra, quando seu carro foi atingido por uma carreta. O acidente foi suspeito de ter sido provocado pelo governo militar que o havia cassado. A obra de JK foi Brasília, que nenhum outro fez e ninguém a faria semelhante na história da República.