ENTRE MULHERES
Quando as mulheres casadas eram obrigadas a adotarem o sobrenome do marido, movimentos feministas protestavam e faziam movimentos contra. Em 1988 a nova constituição mudou o processo, as mulheres casadas não eram obrigadas a usarem o sobrenome do marido, era opcional, quem quiser pode usar ou não. A lei também permite ao marido, se quiser, adotar o sobrenome da esposa. Raramente algum marido o faz.
Quanto às esposas, pela lei nova ainda adotam, como se fosse obrigatório, o sobrenome do marido. Entenda-se as mulheres!
SOBRE AS MULHERES
No Brasil atual a metade da população são mulheres, aproximadamente a metade delas são negras. O fenômeno, se é que se pode afirmar isso, não aconteceu em consequência da Abolição, em 1888; naquele tempo, os escravos eram minoria em relação aos brancos livres, também os negros masculinos eram a maioria entre as mulheres, porém, foram as mulheres que salvaram os homens do extermínio natural causado pela fome, doenças, desemprego e moradia. Elas eram escravas de ganho (vendiam mercadorias produzidas por elas e pelas patroas nas ruas, como doces, artesanatos etc.) e grande parte delas eram as mucamas (escravas domésticas, como lavadeiras, engomadeiras, faxineiras e todo o serviço de casa). Com a emancipação elas continuaram no trabalho, contratadas pelas patroas, que confiavam nelas e deixavam por conta delas todo o serviço doméstico, antes feitos como escravas. Por razões humanitárias as patroas permitiam que as mucamas levassem para os filhos e maridos sobras de alimentos, roupas e calçados que não serviam para os da Casagrande.
Os libertos viviam em mocambos cedidos pelos ex-donos em troca de trabalho todos em regime de miserabilidade. Em suma, foram salvos e sobreviveram graças às mulheres, as verdadeiras “princesas Isabel” dos negros libertos.
RECORDAÇÃO NEGRA
Minha avó contava que a bisavó dela morava numa fazenda, com sua família branca, trabalhando nas terras de um grande fazendeiro. A bisavó tinha sete anos e ainda não trabalhava e passava o tempo brincando na sede da fazenda com a filha do patrão. No alpendre da casa, onde elas brincavam, o fazendeiro ficava sentado em uma cadeira de balanço, com uma espingarda em pé do lado, quando ele avistava um andarilho (preto mal vestido) na estradinha de chão perto da entrada da propriedade, ele mirava e atirava para derrubar o pobre coitado, o tiro era fatal, a vítima caia morta.
Depois de abatido, os empregados da fazenda se apressavam para enterrar a vítima na beira da estrada, colocando uma cruz tosca na cova rasa.
Ninguém se dava conta do fato, para as autoridades era um problema resolvido, para os outros negros eram um descarte, uma economia de comida e um perigo a menos para os libertos, que estavam ameaçados pelos andarilhos como ainda existem nos remotos locais do país.
BARBEIRAGEN
Chamamos os motoristas que dirigem mal, desde o tempo do “chouffer” o nome em que é chamado o motorista francês. O do bonde era o motorneiro.
O barbeiro surgiu no Rio de Janeiro no final de século 19, quando os primeiros automóveis surgiram na cidade, importados dos EUA e Inglaterra. A polícia representada pelo delegado emitia uma carta autorizando a pessoa a conduzia o veículo dele ou de terceiros. “Era carta de motorista” a qual até hoje é chamada a CNH. Ahh! o barbeiro ganhou o nome porque no código do município carioca, o chouffer tinha o número 14, logo abaixo, aparecia a licença n° 13, era a do barbeiro. Barbeiro era o motorista rebaixado.
NAVALHADA
Aqui na terrinha apareceram muitos barbeiros típicos e famosos. Os salões eram clássicos. Funcionavam assim: a primeira cadeira logo na entra da pertencia ao profissional mais velho da profissão e idade, em seguida, pela ordem, os demais; o último era sempre ou mais novo, muitas vezes, o calouro quando parado também ficava a caixa do engraxate, que trabalhava em todos os lugares, até na calçada. Um salão conhecido era composto pelo líder, Angelim, seguido pelo sr. Álvaro e por fim o Lucio. O engraxate que marcou época foi o famoso Neno, depois do salão fechado ele foi pipoqueiro.
GILLETE
As lâminas de barbear inventadas pelo comerciante King Gillete ficaram conhecidas pelo nome dele mundialmente, ainda hoje a empresa fundada pelo Gillete fabrica lâminas de barbear com o mesmo nome.
Em Monte Alto, um barbeiro trabalhava sozinho no salão montadinho dele, com calendário na parede, com o recorte da última página da revista “O Cruzeiro”, onde reinava o “Amigo da Onça”, de autoria de saudoso Péricles, que se suicidou na década de 1970.
O tal barbeiro tinha uma característica. Em pé, atendendo o cliente, pelo espelho ele via quando uma jovem bonita estava para passar nas calçadas, em ambas, de um lado ou de outro; ele dava uma paradinha no corte e com a tesoura na mão ele corria na porta. Além de cortar cabelo e barba ou bigode de quem tinha, ele falava sem parar, sem se importar se o cliente ouvia ou não, nem menos respondia. A piada veio rápido: quando ele perguntava como o cliente queria o corte, a gente respondia: Em silêncio!
TEMPERO MENTAL
O cliente entra no restaurante, chama o garçom e pergunta:
– Como vocês preparam o frango?
– A gente chama-o de lado e explica, que o processo é tranquilo, falamos em voz baixa e o mantemos calmo e tudo fica bem!