FAZER DE ROGADO
Até metade do século passado o analfabetismo no Brasil era encarado com normalidade, que o famoso “a rogo” era um mal necessário. Quando o analfabeto, mais homem do que mulher, precisava assinar qualquer documento um simples recibo numa loja, alguém precisava assinar o nome na frente do polegar impresso, como se fosse um favor – e era – o pedido vinha em forma do clássico “a rogo”. Ou seja, o analfabeto rogava (pedia) para alguém assinar (escrever o nome dele ou o próprio nome) do lado do polegar impresso como um carimbo, era uma autenticação reconhecendo que o polegar era do responsável. Infelizmente eu fiz muito disso e o analfabeto ficava imensamente agradecido, muitas vezes queria pagar pelo favor.
Ainda hoje isso acontece em algumas regiões do país, quando os jovens não frequentam a escola ou se fazem a frequência incompleta não conseguem assinar o nome. Mesmo sabendo assinar o nome, não tem confiança necessária no ato e perguntam: “assinar meu nome!’ (o que os maldosos respondem, não, o nome da sua avó).
TRAGADA MORTAL
A moda entre os suicidas, diga-se, entre os fumantes, atualmente é o cigarro eletrônico, o que não tem tabaco, substituído por líquidos perfumados, que ao passar pelo sistema eletrônico transforma-se em fumaça muito mais viciante do que o tabaco vegetal. Cerca de três vezes mais nicotina concentrada do que o cigarro normal, portanto, mais venenosa e viciante do que o cigarro clássico. Enfim, mata mais depressa com ou sem um câncer de aviso. O cigarro eletrônico é ótimo para quem tem pressa para morrer!
CHEQUE SEM FUNDOS
A geração nova, abaixo de 20 anos, não sabe o que é cheque, sem fundos, menos ainda; chegava a ser contraditório como documento legal, porque o nome e a função do cheque era uma ordem de pagamento a vista, era assim impedido de não ter saldo na conta, uma vez apresentado, o que tornava o cheque um documento de pagamento “prometido tal como uma nota promissora”. Em tese, uma promessa de dívida, passível ou não de pagamento. O que gerava conflitos entre credor e devedor, sempre passível de um acordo entre o bom senso e a compressão, independente da lei.
Mudando de campo, existem as dívidas entre países, que também nem sempre o devedor honra o pagamento do título da dívida pública, negociável entre bancos de crédito. Pouca gente vai lembrar de uma tal de Poloneta, era um título de dívida emitido pela Polônia a favor do Brasil, que não foram pagas porque a Polônia declarou-se insolvente perante o mercado de crédito internacional. O Brasil ficou com o mico – perdeu o valor do crédito.
MERCADO ABERTO
Nosso mercado de pulgas está aberto às compras. Procuramos um mimeógrafo. Um mata-borrão. Uma caixa de engraxate. Um pote de brilhantina Glostora. Uma Cartilha Caminho Suave. Um carro Dauphine. Uma placa do Bar Pinguim. Uma porteira com propaganda das Casas Pernambucanas. Uma embalagem de produto Crai. Um carrinho de padeiro. Um macaco Chicão. Uma Placa do Restaurante Abril. Uma placa do Monte Alto Clube. Uma peça do Nosso Trem da Melhoramentos. Uma foto do histórico Pau D’Alho.
CASA HISTÓRICA
A casa mais visitada dos Estados Unidos é a Casa Branca, cujo nome não é oriundo da cor, que é realmente branca, mas da cor da argila de quando foi construída, que naquela região era mais clara do que as outras.
A segunda casa mais visitada no país é a do cantor Elvis Presley, atualmente transformada em um museu de visitação livre.
ANOS VINTE
Nos bondes, nos pontos, nos salões, nos postes, nos trens, nos bares e nas construções públicas existiam os mais famosos versos dos anos vinte, do século passado: Dura Lex/Sed Lex /No cabelo/Só Gumex.
(Gumes era um gel de tamanha potência que no cabelo mantinha o penteado tão firme e assentado, que um furacão não conseguia desmanchar).
BOMBA H
Em 1952, nas Ilhas Marshall no Oceano Pacífico, foram feitos os testes com a Bomba H, 10 vezes mais potente do que a Bomba A, usada no Japão em Hiroshima a Nagasaki. O local da detonação foi no atol de Bikini. Foi um sucesso, o processo todo foi do físico norte-americano Oppenheimer. Mais famoso do que a bomba foi o maiô de duas peças pequenas que recebeu o nome imortal de Bikini no mundo todo. Foi uma explosão no modismo – a peça foi internacionalizada. Não existe praia que ele ficou fora de moda. Uma vez Bikini, sempre biquini.
FRASE
“Heroísmo no comando, violência sem sentido e toda a detestável idiotice que é chamada de patriotismo – eu odeio tudo isso de coração” (Albert Einstein).
PROVÉRBIO LATINO
“Medicus curat, natura sanat” (O médico trata, a natureza cura).