As máscaras nos incomodam. Falta-nos o ar. Ofuscam os sorrisos. Incomodam-nos na comunicação, na alimentação e impedem o ímpeto de um encontro labial. Ao mesmo tempo, protegem-nos desta guerra silenciosa. Estas são as máscaras dentro da sua concretude, da sua realidade e da sua objetividade. Entretanto, sem percebermos, elas são mais frequentes e atuantes do que pensamos.
Mascaramos, cotidianamente, nós mesmos. Usamos uma infinidade de filtros para podermos ser aceitos dentro de uma sociedade estereotipada. Mascaramos a felicidade num casamento infeliz. Mascaramos nossa índole para criar uma imagem de pessoas que não somos. Mascaramos a bondade exercida apenas para postar fotos em redes sociais. Mascaramos a nossa fé para mostrar à sociedade que a nossa conduta é baseada naquilo que diz a palavra de Deus ou de qualquer outra entidade. Mascaramos a amizade por puro interesse. Mascaramos os sentimentos amorosos interessados apenas no corpo e não no amor. Mascaramos os sorrisos para não mostrar a depressão que nos afunda diariamente. Mascaramos sermos bons filhos e bons pais para que nunca possamos passar pelo ato de pedir perdão. Mascaramos o nosso próprio corpo por medo, por vergonha. Mascaramos a verdade onde só existe a mentira. Mascaramos o bem onde reina o mal. Mascaramos sermos defensores de coisas que não defendemos. Mascaramos ser a favor da educação num país onde pais não conseguem educar os próprios filhos. Mascaramos os dados por interesses políticos e para que cause ojeriza e ódio numa contemporaneidade alarmista. E porque reclamaremos de usar a verdadeira máscara que nos defende das “indesejadas das gentes” que chegará dura ou caroável? (quem diga Manuel Bandeira).
O abstracionismo das máscaras é mais real do que a concretude das que usamos para nos defender de um vírus. O vírus da ignorância é mais letal do que o existente numa pandemia. Infelizmente, não há como mascará-la, a ignorância. Respiramos a hipocrisia diariamente e mascaramos, também, esta conduta. Escondemo-nos dos necessitados para que não possamos estender as mãos. O cara lá de cima não mascara a porta do céu ou do inferno. O mundo nunca será dos que se escondem por trás das máscaras. Até porque elas sempre caem quando a gente menos espera.
