A escola é um templo. É refúgio. Trata-se de um local onde a vida acontece. Os primeiros amigos e amores surgem no ambiente escolar. É lá que vivem as nossas mais doces, às vezes amargas, memórias. Ali, vamos nos moldando e construindo o nosso eu do futuro. Os professores que regem o nosso caminho e ajudam a escrever a nossa história são os intermediadores dos sonhos que almejamos realizar. Todavia, há quem pense que somos cuidadores de crianças e não educadores. Lembre-se: professores são educadores e não cuidadores.
Na sua etimologia, a palavra “ educar” deriva do latim “ educare” que significa “ conduzir para fora”, “ direcionar para fora “, ou seja, direcionar as pessoas para o mundo, para a sociedade. Já o vocábulo “cuidar” também oriunda do latim, significa “ tratar”, “ aplicar atenção”, do latim “ cogitare”. Tratando-se de etimologia, o que fazemos nós, os professores, é conduzir o individuo para que ele viva numa sociedade democrática e justa, respeitando as diferenças, crenças e etnias. O professor conduz para a vida e sociedade; ele educa e ensina. O cuidar que as famílias tantos querem é o indivíduo que apenas observa, sem se preocupar com a evolução cognitiva e social do ser que está sob os cuidados. Esse não é o papel da escola e muito menos do professor.
Vejo vozes vociferando quando o templo se fecha. Vociferam, porque acham que as crianças estão ali para serem cuidadas. É entendível o trabalho dos pais e a falta de tempo de ficar com os filhos, mas também é nítida a falta de empatia e a falta de reconhecimento do trabalho docente. Indubitavelmente, precisamos dos raros feriados para que possamos fechar os olhos e nos deitar com as pernas para cima. Se quiserem que cuidemos dos alunos, quem é que cuida gente? Vou perguntar novamente: quem cuida da gente? Ninguém. É por isso que precisamos nos cuidar. É por isso que precisamos dos raros feriados para que possamos cuidar da nossa saúde física e, principalmente, mental.
A quantidade de profissionais da educação que se afastam devido ao cansaço físico e mental é alarmante. Essas vozes que gritam por alguém que cuide dos seus filhos não sabem do trabalho árduo que fazemos para lecionar cinquenta minutos de aula. Estes que gritam, não sabem o que é perder o final de semana preparando aulas, provas e as corrigindo. Apenas vociferam: sem empatia e sem reconhecimento.