Ensinar a perder: a importância da tolerância às frustrações

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Crianças chegam cada vez mais novas para a terapia. Pais buscam ajuda, alguns em desespero, para lidar com os seus filhos pois não conseguem controlar o comportamento de birra, de irritabilidade e agressividade. Muitas vezes, crianças de dois, três anos, cujos pais não conseguem criar rotina e estabelecer os limites necessários.

Claro que a ajuda precoce favorece o desenvolvimento das crianças, principalmente, se estas apresentarem fatores de risco como presença de comportamentos característicos de transtornos e histórico de intercorrências. Aqui, a precocidade é fundamental para o resultado da intervenção.

Mas, o que estamos observando nesta área de terapias infantis é que cada dia mais pais buscam ajuda para crianças pequenas saudáveis. Apontando, claramente, para a necessidade de revermos nossas posturas dentro da educação de nossas crianças.

O modelo tradicional da família passou por importantes alterações nas últimas décadas, assim como o acesso à informação e à educação também trouxe novas prioridades e diferentes formas de entender a parentalidade.

As dificuldades para determinar – e estabelecer – os limites aumentaram e a falta de limites e a intolerância à frustração talvez seja uma das grandes questões que enfrentamos nos dias de hoje.

Limites que antes eram simplesmente impostos – muitas vezes de forma inadequada – hoje precisam ser explicados e aplicados através de diálogos e atitudes coerentes e respeitosas. Abrir espaço para trocar ideias, ouvir os filhos e discutir situações não é errado. Mas são os pais, os adultos da história, que ainda devem definir o que pode ou não pode, o que é certo e o que é errado.

A dificuldade em estabelecer regras e limites está diretamente relacionada à capacidade das crianças de entenderem e aceitarem as perdas e frustrações. Aprender a lidar com o insucesso é fundamental para se viver a vida adulta.

É preciso ensinar os filhos a perder, pois, se há uma certeza na vida é que sempre iremos perder algo. Aprender a lidar com as insatisfações desde pequenos evita que ao longo do tempo estas situações se tornem algo inaceitável e destrutivo. E isto vem acontecendo cada vez mais cedo: crianças bem pequenas que desafiam os pais, ganham no grito e agridem quando são frustradas ou contrariadas.

A filosofia moderna do ganhar sempre parece colocar as situações de perda como impossíveis e vergonhosas. É preciso lembrar: são nas dificuldades, nos erros e acertos, no perder e no ganhar que crescemos e desenvolvemos recursos para tolerar o que não gostamos ou não queremos e buscar formas de lidar com isto.

Quando a criança é permanentemente satisfeita impedimos que ela entre em contato com a frustração e viva este sentimento. Entender que jamais existirá a satisfação completa, que vamos perder em muitos momentos e que vamos ter que encarar a angústia e a sensação de impotência das perdas necessárias faz parte do desenvolvimento normal e saudável do ser humano.

Todo pai sabe que os filhos não permanecerão com eles por toda vida, que irão seguir seu próprio caminho e construir suas próprias relações e vínculos afetivos. Mas eles precisarão das ferramentas necessárias para isto e esta é a função dos pais.

Independente de como possa se apresentar a estrutura familiar, o mais importante é a capacidade dos pais permitir que os filhos cresçam. E crescer envolve viver e experenciar os sentimentos. Os melhores e os piores.

Na sociedade moderna, onde o ideal de sucesso é muito mais material do que qualquer outra coisa, massacramos nossas crianças com a ideia de vencer na vida. E não fazemos nossa parte inserindo na educação de nossos filhos a capacidade de suportar o não, de ser contrariado e de perder, sim, muitas vezes.

A consequência disto: adultos frágeis, que não conseguem lidar com a realidade da vida, desenvolver flexibilidade para lidar com situações adversas e recursos para superar as frustrações e seguir em frente.

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